terça-feira, 3 de novembro de 2009

Concepções de EJA

Como ideologia, a alfabetização devia ser encarada como uma construção social que está sempre implícita na organização da visão de história do indivíduo, o presente e o futuro; além disso, a noção de alfabetização precisava alicerçar-se num projeto ético e político que dignificasse e ampliasse as possibilidades de vida e de liberdade humana.
A alfabetização precisa ter como significado para as pessoas a sua emancipação, isto é, o sujeito precisa fazer-se parte de uma sociedade em transformação através de movimentos culturais. O analfabetismo não é meramente a incapacidade de ler e escrever; é também um indicador cultural é a privação cultural.
Com a alfabetização as pessoas poderiam captar a importância de desenvolver esferas públicas democráticas como parte da luta da vida moderna no combate à dominação, bem como tomar parte ativa na luta pela criação das condições necessárias para tornar as pessoas letradas, para dar-lhes uma voz tanto para dar forma à própria sociedade, quanto para governá-la.
O analfabetismo não é um problema associado apenas aos pobres ou aos grupos minoritários, mas também é problema para aqueles membros de classe média ou alta que se retiraram da vida pública para dentro de um mundo de absoluta privatização, pessimismo e ganância. Portanto, para que venha a concretizar-se a alfabetização radical, o pedagógico deve tornar-se mais político e o político, mais pedagógico.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Leituras...

Leitura Cultura e Leitura Funcional

Nesta semana estive observando os hábitos de leitura em nossa escola e em casa, me perguntei o que de fato faz uma pessoa gostar mais ou menos de ler, porque existem pessoas que lêem um livro por mês e outras que nunca terminaram um livro? Qual o papel da escola, família e sociedade diante estes fatos? Penso que precisamos formal em nossas Escolas cidadãos que lêem por cultura que gostem de ler, que tornem este um hábito, porque todos têm direito de ter mais cultura em suas vidas, de ter acesso a ela.
O que a maioria das escolas estão formando são sujeitos que lêem de uma forma funcional, usam a leitura de uma forma mecânica, ela é centralizada no modo funcional da escola, ou seja, só se lê para produzir o conhecimento necessário, e não de uma forma descentralizada onde se busca o conhecimento como um todo, desenvolvendo um manifesto cultural.
Os alunos só lêem o que estão nos livros didáticos.
A leitura não pode ser somente escolarizada, ela precisa ultrapassar os muros da escola e atingir toda a comunidade. Promovendo assim uma diversidade cultural.
Penso que precisamos de ações de políticas públicas eficazes, onde possam surgir das escolas espaços de cultura e leitura para toda a sociedade.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Aprender - Uma questão de Cidadania

Existem muitos modos de se trabalhar com alfabetização de adultos, muitos tão certos e alguns nos decepcionam, pois não podemos brincar com a alfabetização ainda mais com adultos que tem tanto para nós ensinar e mesmo assim ainda arrumam tempo para aprender, é uma grande lição de vida, o começar algo que a vida não proporcionou em outro tempo. Algumas instituições procuram fazer da prática educativa de alfabetização também um desafio de ordem política, pois ao mesmo tempo em que trabalham com os códigos da aprendizagem da leitura e da escrita, procuram o desafio de ampliar os ganhos de consciência dos grupos populares ao refletir sobre a sua realidade e sobre o seu mundo.
Estas atitudes prejudicam os fatores de ordem social, pois todos sabem as condições que vivemos, todos conhecem a sociedade que exclui que marginaliza a maioria dos pobres, que não tão condições mínimas para a realização das camadas populares. Estes fatos devem ser discutidos, levados em consideração, mas é preciso ter claro que alfabetização é muito mais que isto e não demonstra a qualidade necessária para uma educação que visa à autonomia.
Precisamos considerar a experiência acumulada por este educando e suas hipóteses a respeito de como tal processo de escolarização se realizam.
Paulo Freire entende alfabetização como um ato de conhecimento, no qual "aprender a ler e escrever já não é, pois, memorizar sílabas, palavras ou frases, mas refletir criticamente sobre o próprio processo de ler e escrever e sobre o profundo significado da linguagem".
Ações assim tornam o homem construtor de seu conhecimento, partindo a aprendizagem do que sabem e não do que ignoram.
Precisamos deixar bem claro que não é o método que se elege que promove a alfabetização, mas é todo um conjunto de conhecimentos e a postura intelectual que adotamos com relação aos sujeitos e ao objeto da aprendizagem.
Assim como nós, que estamos no papel de educadores, crescemos e desenvolvemos ideias usando a leitura e nos expressando por escrito, os adultos não escolarizados podem estar procurando isso também.
A possibilidade de escrever está muito ligada ao valor que a proposta tem para cada um.

domingo, 11 de outubro de 2009

Libras

O que temos visto em nossas escolas e na sociedade em geral é que as famílias mudaram muito, já não são mais as mesmas de antes, e é lógico que isto implica em todos os tipos de comportamentos e condutas diante aos acontecimentos em gerais. Não há mais um único modelo de família tradicional e sim novos modelos reformulados de acordo com a sociedade onde estamos incluídos. Estas mudanças acabam afetando tanto as novas famílias como também aquelas onde existem casos de filhos surdos. Com toda esta reformulação é claro que todos acabam sofrendo mais, pois os papeis muitas vezes se invertem, sem contar que a sociedade é cada vez mais discriminatória e egoísta. Mas pensamos que para um pai ouvir um diagnóstico que um filho é surdo é algo desnorteador. Hoje o despreparo dos pais ainda é grande, muitos relatam que falta assistência e orientação, e muitos se sentem culpados e com medo, pois o desafio é muito grande.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Por que Projeto de Aprendizagem?

Alguns dos Motivos:
A aprendizagem através de P A tem orientado a prática pedagógica, para uma visão construtivista de solução de problemas – favorecimento da interatividade, da autonomia em formular questões, em buscar informações contextualizadas, da comprovação experimental e da análise crítica.
Este tipo de aprendizagem tem como um dos princípios atualizar fontes de informações e desenvolver novos talentos, competências em todas as áreas, impedindo que as defasagens aumentem. Desenvolver atitudes e valores para a convivência com autonomia e cooperação. Além de desenvolver novas habilidades para uma mesma profissão cujas atividades variam e se transformam rapidamente. O ideal é que as pessoas possam ser emergentes na profissão e vida.
Hoje os sistemas de ensino estão organizados para um modelo de funcionamento geral e padronizado. O PA vem para ajudar a atender os aprendizes como verdadeiros sujeitos de sua aprendizagem.
Para começar um projeto de aprendizagem, é importante ter definidos de quem são as dúvidas que vão gerar o projeto? Quem está interessado em buscar respostas?
No projeto quem é sujeito da sua aprendizagem é o aluno, temos encontrado que esta inversão de papéis pode ser muito significativa. Quando o aprendiz é desafiado a questionar, quando ele se perturba e necessita pensar para expressar suas dúvidas, quando lhe é permitido formular questões que tenham significação para ele, emergindo de sua história de vida, de seus interesses, seus valores e condições pessoais, para assim desenvolver a competência para formular e equacionar problemas. Quem consegue formular com clareza um problema, a ser resolvido, começa a aprender a definir as direções de sua atividade.
Usamos como estratégia levantar, preliminarmente com os alunos, suas certezas provisórias e suas dúvidas temporárias. E por que temporárias?
Pesquisando, indagando, investigando, muitas dúvidas tornam-se certezas e certezas transformam-se em dúvidas; ou, ainda, geram outras dúvidas e certezas que, por sua vez, também são temporárias, provisórias. Iniciam-se então as negociações, as trocas que neste processo são constantes, pois a cada idéia, a cada descoberta os caminhos de busca e as ações são reorganizadas,
replanejadas.
Quando iremos nos dar conta de que o processo natural de desenvolvimento do ser humano é “atropelado” pela escola e pelas equivocadas práticas de ensino?
Buscar a informação em si, não basta. É apenas parte do processo para desenvolver um aspecto dos talentos necessários ao cidadão. Os alunos precisam estabelecer relações entre as informações e gerar conhecimento. Não há interesse em registrar se o aluno retém ou não uma informação, aplicando um teste ou uma “prova” objetiva, por exemplo; porque isso não mostra se ele desenvolveu um talento ou se construiu um conhecimento que não possuía.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Grandes Pensadores

Didática

Pensadores da Escola Nova

JOHN DEWEY
Um de seus principais objetivos é educar a criança como um todo. O que importa é o crescimento – físico, emocional e intelectual. O princípio é que os alunos aprendem melhor realizando tarefas associadas aos conteúdos ensinados. Atividades manuais e criativas ganharam destaque no currículo e as crianças passaram a ser estimuladas a experimentar e pensar por si mesmas. Nesse contexto, a democracia ganha peso, por ser a ordem política que permite o maior desenvolvimento dos indivíduos, no papel de decidir em conjunto o destino do grupo a que pertencem. Dewey defendia a democracia não só no campo institucional, mas também no interior das escolas.
A escola deve proporcionar práticas conjuntas e promover situações de cooperação, em vez de lidar com as crianças de forma isolada. Para ele o objetivo da Escola deveria ser ensinar a criança a viver no mundo. Ele estimava o professor que em vez de dar a resposta pronta ao aluno levava-o a pensar e a instigar sua mente. Para ele somente a inteligência libertará o homem. Em lugar de começar com definições ou conceitos já elaborados, deve usar procedimentos que façam o aluno raciocinar e elaborar os próprios conceitos para depois confrontar com o conhecimento sistematizado.

OVIDE DECROLY
Decroly foi um dos precursores dos métodos ativos, fundamentados na possibilidade de o aluno conduzir o próprio aprendizado e, assim, aprender a aprender. Alguns de seus pensamentos estão bem vivos nas salas de aula e coincidem com propostas pedagógicas difundidas atualmente. É o caso da idéia de globalização de conhecimentos – que inclui o chamado método global de alfabetização – e dos centros de interesse.
Ele acreditava que o ensino deveria se aproveitar das aptidões naturais de cada faixa etária. Decroly preferia o trabalho em grupos, uma vez que a escola, para ele, deveria preparar para o convívio em sociedade. Todo este modo de trabalhar e organizar a Escola por meios de centros de interesses dos alunos lembra muito a Escola da Ponte, e os projetos de aprendizagens (PA), eu concordo que a escola precisa trabalhar nestes centros de interesses estimulando seus saberes e construindo novos a partir de trocas de experiências bem sucedidas.

MARIA MONTESSORI
Individualidade, atividade e liberdade do aluno são as bases da teoria, com ênfase para o conceito de indivíduo como, simultaneamente, sujeito e objeto do ensino. Penso que aprender é algo único, individual, aprendemos com o outro, no coletivo, mas nossas aprendizagens são únicas, o modo que aprendemos é único, depende de cada individuo.
O objetivo da escola é a formação integral do jovem, uma “educação para a vida”. Montessori elegeu como prioridade os anos iniciais da vida. Para ela, a criança não é um pretendente a adulto e, como tal, um ser incompleto. Desde seu nascimento, já é um ser humano integral, o que inverte o foco da sala de aula tradicional, centrada no professor.
Para ela o importante na aprendizagem é usar o concreto, pois crianças adoram tocar, cheirar, ver as formas, sentir...

CÉLESTIN FREINET
Para ele, a atividade é o que orienta a prática escolar e o objetivo final da educação é formar cidadãos para o trabalho livre e criativo, capaz de dominar e transformar o meio e emancipar quem o exerce. Diferentemente da maioria dos pedagogos modernos, o educador francês não via valor didático no erro. Ele acreditava que o fracasso desequilibra e desmotiva o aluno, por isso o professor deve ajudá-lo a superar o erro. “Freinet descobriu que a forma mais profunda de aprendizado é o envolvimento afetivo”, diz Rosa Sampaio.
Freinet criou as aulas-passeio e os cantinhos temáticos na sala de aula, que são usadas por quase todas as escolas nos dias de hoje, mas concordo que simplesmente construir estas técnicas não significa que são professores freinetiana, pois para tudo isto é preciso estar presente em sala de aula os objetivos de se fazer tal coisa, é preciso estar voltados para as condições sociais para assim promover uma aprendizagem significativa.

Educação é um Ato Coletivo

[...] ninguém educa ninguém e ninguém se educa sozinho. A educação
deve ser um ato coletivo, solidário – um ato de amor, não pode ser
imposta. Educar é uma tarefa de trocas entre pessoas e, se não pode ser
nunca feita por um sujeito isolado [...] Há sempre educadores-educandos
e educandos-educadores. De lado a lado se ensina. De lado a lado se
aprende (BRANDÃO, 2006, p. 21-22).


Uma prática de alfabetização crítica precisa ser sensível as condições históricas, sociais e culturais que contribuem para as formas de conhecimento e de significado que os alunos trazem para a escola, fomentando a individualidade como parte de um projeto moral e político para uma ação social transformadora. A alfabetização política cultural exige repensar o currículo compreendendo-o como um instrumento que representa um conjunto de interesses que devem ser postos, examinados e debatidos criticamente e que permita que as diversas vozes escolares sejam ouvidas, confirmando e legitimando as experiências que dão sentido às próprias vidas. Não somente a educação de Jovens e Adultos, como a educação toda representa uma possibilidade que pode contribuir para efetivar um caminho e desenvolvimento de todas as pessoas, de todas as idades. Planejar esse processo é uma grande responsabilidade social e educacional, cabendo ao professor no seu papel de mediar o conhecimento, ter uma base sólida de formação.
Hoje, percebe-se que aprender é um direito básico de todos e uma necessidade individual e social de homens e mulheres. O domínio da leitura e da escrita e a habilidade em produzir textos são um divisor social que discrimina e inferioriza os sujeitos que não os possuem. Ler e escrever bem são condições para que o sujeito não seja excluído. Na educação de jovens e adultos precisamos contar com profissionais abertos à troca de experiências, dispostos a aprender com o outro, que vibram com o avanço da aprendizagem em seus alunos e acreditam em suas capacidades, respeitando as diferenças sociais, culturais, religiosas, enfim, respeitando o direito do outro em ser ímpar, mas ao mesmo tempo sendo respeitado em seus direitos.